Andei à tua procura. Ou na verdade talvez não. Sei que procurava alguma coisa. Talvez fosse a mim mesma. Lá está a insensatez a vir ao de cima, por favor, perdoa-me os meus devaneios. Melhor ainda, aceita-os simplesmente como parte intrínseca de mim, este ser que mal conheces.
Não tens perguntas para mim, sobre mim. Talvez sejas tu o iludido ao convenceres-te que sabes tudo ou talvez seja eu ao achar que poderia haver algo que pudesses querer saber. Se eu mesma soubesse…
Devaneios, sempre a sugar-me o tempo e a alma e a alegria e tudo o que acabam por me dar na sua ilusão.
No entretanto, encontrei-te efectivamente, assim como que por acaso, no sítio onde te tinha deixado e não te tinha lembrado. Não sei porquê mas nunca me lembrei, não de ti e não sei por que razão. Prefiro não pensar nisso a recordar a forma como me lembrei de alguns, na minha inocência desamparada, que nem inocência era mas sim estupidez.
Agora estás aqui mas tão depressa como chegas te vais e eu fico com o lugar e sem a pessoa, como um frasco de perfume que, apesar de vazio, ainda permite sentir o aroma e as recordações ao mesmo associado. Metáforas… Forma hábil e ao mesmo tempo tão estúpida de não dizer as coisas directamente quando se tem medo que as mesmas, ao serem ditas ou postas em papel, se tornem reais por serem obviamente visíveis e audíveis.
És assim e foi assim que me habituaste, tanto dás como tiras mesmo ao nunca me teres dado nada. Curiosidade, eterna busca é isso, talvez, que faz com que te procure e fique na dúvida permanente de se, caso algum dia verdadeiramente te encontre, serás aquilo que queria ou imaginava ou supunha ou temia. E faz com que me pergunte se a busca em si não será infundada e sem propósito, se saberei realmente o que quero encontrar e se no fim desse caminho estás tu. E se o caminho que quero percorrer não será demasiado perigoso e se não serei a única disposta a percorrê-lo.
Caminhos… Podem ser paralelos, opostos, apenas um ou findar sem aviso. E a minha indecisão falta de conhecimento e um não-sei-quê mais que falta também não me deixa ver em qual dos caminhos estou para comigo mesma e onde, ao longo do caminho, tu te inseres. Sei que estás no caminho. E que te vou encontrando de uma maneira ou outra. Entretanto, tenho optado por seguir e não parar para pensar, com medo que tenhas mudado de sítio. Um destes dias, o caminho vai chegar ao fim e, neste, gostava de te encontrar, no sítio onde te deixei e um dia te lembrei.

