Friday, November 29, 2013

Essência



Sabes, eu vivo bem sem ti. Sem ti como sem qualquer outra pessoa. Não que não faça diferença a ausência da tua presença mas há sempre outro alguém, outra coisa que me distraia. Vivo bem sem ti. Mas nunca vivo completamente sem ti porque as minha memórias ressurgem no dia-a-dia e tu ocupas partes importantes delas. Nunca vivo sem ti e o viver resume-se, por veze,s a existir e existir todos o conseguimos fazer bem.

Por vezes sinto que não vivo, como se estivesse simplesmente sentada a uma janela a ver a vida a passar e de vez em quando vejo a tua cara na de pessoas que ocupam lugares que tu já ocupaste, o passado a tentar misturar-se com o presente para me lembrar o que foi um dia realmente viver. E ser feliz, porque o fui.
Vivo sem ti mas contigo dentro de mim, no meio de tantos e tantas outras que ocupam as minhas memórias. Por ora, no entanto, tu ocupas o centro das mesmas. Vivo no fundo sem mim, a quem deixei perdida num canto qualquer, quando me esqueci de tudo o que ser eu implicava, uma complexidade oca pois devia apenas deixar-me ser.

Ser e esquecer. Por breves momentos descartar o que já se foi como é tão fácil para tantos. Porém, descartar o que já foi é deixar-me a mim de parte, a mim a quem a memória consome, a mim a quem a memória alimenta, a mim que, por vezes, sinto que nada mais sou que memórias. Num mundo em que mesmo memórias partilhadas têm sempre perspectivas diferentes. Talvez por isso nunca tenha sabido o que achar de mim. Encontrei-me diversas vezes mas continuo sem me saber.

Acho que me encontrei fora de mim e talvez desta perspectiva me consiga finalmente saber.





inspired by He's more myself than I am. Whatever souls are made of, his and mine are the same.

Sunday, November 3, 2013

This



It was me there. It was not a different version of me, I don't come in different flavours. It was me that you saw, maybe you have changed the angle but you saw what was already there, I have not changed.
There I was, overtaken by my feelings, knowing there was nothing I could do about it. You can't control what comes naturally if it is all that you are and can see at that moment. Not even if you know it will hurt you, not even if the cause of it will eventually go way and the people who will come out harmed are the ones that stay, not if you love all of these people unequally - you can subside love but do you do the same to a passion that consumes you?

Some have come and gone, some have stayed and changed and I stand immutable, like a rock watching the passing of time. Like the rock that people see in whichever way they want, according to the meaning, fears, hopes and wishes they deposit on it.
But I'm just me, and inside thit rock that's made of the most fragile glass is a hourglass, with two very different sides, one made of red and gold, the side of the passion that does not subside, the passion that tells its object that the right words will never come when in truth that is an utter lie, the passion that lingers no matter how many miles and months are in the middle. The passion that should have never been.
The other side, the rest of time, a shadow of the opposite's vivacity, the gloom of emptiness, the remains of the good that was, the broken hope for what will never be, the dream that lost its spirit, the one who didn't see the time passing by and people leaving and changing and leaving her behind lost in the leftovers of the reality that is now only real for her.

No one told her that life was to be ever so hard nor that she had to choose.

She still has this. Herself.

Tuesday, October 22, 2013

An apparent nothing full of countless things


It will never be enough, nothing I can do will ever be enough, you will never grasp the entire concept as I won't really explain it and you will never know what I meant.

Not when I don't know what to say.
Not when I don't know what to do.
Not when I don't even know what I meant or felt.
Not when you are not me and you can't help in sorting out myself.

We are very good friends.
Better than we know. Less that what it could be.
Connected by something.
Maybe the akwardness in understanding feelings at their core.
(...)
Maybe it was just fortune putting us in each other's way.
Even though I don't believe in fortune. Yet recognising that I couldn't really ever see this coming.

I just don't know. It's always like this. I always get the feeling I have so many, this insane amount of, things to say to you, yet I don't know what it is.
I adore you. I miss you already.

And if the song I wrote went to its final chords and I'd never see you again I would say I have loved you.





One will never know if the truth lies in the whispered comments, the doubts in everyone's minds, the impressions that were given or in what was actually there: an apparent nothing full of countless things.

Wednesday, September 4, 2013

It won't be soon before long



There's this void
This empty space that's never really empty
That I try to fill up with little things
Ordinary thoughts
To erase the memory of you

That space is yours
Now and then
Always yet again
Ever since it was created
Ever present
No matter how hard I may try
To make it all go away

It is based on sheer illusion
On the hopes for the next time
On the moments of the last
On the words left unsaid
On the times I said too much
On the tears you haven't seen
On the thoughts you could never read
And on the certainty of its impossibility

The months go by
I've been standing by
Unknowingly waiting
It won't be soon before long

Monday, April 8, 2013

Inócuo



Inócuo e invisível. Não te vi até chegar a meio do caminho e no fim que ainda não existiu não soube o que fazer com a tua presença e com o facto de te ter notado e de deixares de ser inócuo; perdeste a característica e ganhaste a qualidade da memorabilidade, que resurge em horas inesperadas.
Não saberia o que te dizer mesmo que não fizesse mais nada que não pensar nisso. O que dizes quando queres falar mas não tens nada relevante para dizer? Eu remeto-me ao silêncio que ás vezes é de ouro mas que contigo são oportunidades que se perdem e que não voltam quando não sei quantas mais terei para te conhecer, agora que te reconheço a presença, mesmo quando não física.
23 anos de processos cognitivos, de experiências que supostamente ajudariam a uma interacção estudada mas que se perdem confrontadas com algo tão recente quanto tu. Processos cognitivos que me remetem para as interações físicas de um 5º ano quando já ultrapassei um quinto ano de faculdade. Não ultrapassei a tua novidade nem a minha inocência maldosa e não sei o que fazer com a minha ideia de ti, nem contigo nem comigo.

Eu vou cantando a minha canção porque por vezes podes juntar-te a mim. Vou vendo as coisas à minha maneira porque um dia poderás partilhar a minha perspectiva. Vou estando presente, marcando posição porque, como eu te recordo, não quero ser esquecida. Não sei mais que os princípios básicos. E embora já tenham existido vários princípios nesta história, naquela que eu quero escrever o princípio ainda está por chegar.

Vemo-nos um destes dias.

Saturday, January 5, 2013

Tens correio


Oh meu menino de pijama às riscas, criança grande perdida num mundo de fantasia do qual castelos de nome Hogwarts e campos imensos denominados de Shire fazem parte, que foi catapultado para este mundo real que conseguimos tornar tão cinzento....
Porque te demorei tanto tempo a escrever não sei, se já o mereceste há tanto. Talvez porque como tudo e todos os que valem a pena tu sabes esperar, como bem sabemos...
Na espera vão fazer três anos, três anos em que percebeste que quase nada em mim é crueldade e frieza e que eu percebi que de louco em ti há tanto como em cada um de nós.
Não me minto se disser que és um menino dos meus olhos. Mesmo quando em situações amargas que nada fazem senão lembrar-me do quanto gosto de ti. Tu sabes disso.
És dos poucos que, por mais que o contacto escasseie, sei que vai sempre fazer de tudo para não me falhar. Não espero isso de muitos amigos que me sabes serem mais próximos mas, quem disse que não me és um amigo próximo?
És dos poucos que não me precisa de ler porque já pareces conhecer as páginas, talvez porque as partilhamos. E porque nos unimos na superioridade do que é saber amar alguém tanto ou mais do que a nós mesmos, porque embora não enchamos a boca para dizer que o faríamos, sabemos o que é ter a certeza de que iríamos até ao fim do mundo por alguém, mesmo que fosse para chegar lá e não encontrar nada. Vale sempre o caminhos e os momentos resultantes do que fizemos com o nosso tempo.
Sabemos também que por mais tortuoso e solitário que esse caminho pareça, nunca estamos verdadeiramente sozinhos.

O caminho que trilho pode diferir do teu mas sabe-me sempre por perto, numa encruzilhada mais à frente, à espera de ver que mais surpresas me reservas com o teu crescer.




P.S.: Posso ter de me olhar ao espelho de vez em quando para me lembrar de mim e de quem sou, mas felizmente nunca esqueço o que está à minha volta.