Thursday, February 2, 2012

O Carrossel da Malta

Todos temos um refúgio, para muitos os nossos quartos; nas nossas memórias talvez a nossa infância, com os seus momentos de felicidade pura e inocente.

A minha infância traz-me, por entre os doces e brincadeiras, aquele carrossel da feira popular, sempre o mesmo e intemporal, não interessa quanto tempo tenha passado, todos os carrosséis do género são igual, mesmo não o sendo. Lembro-me de onde gostava de me sentar, consoante o dia e estado de espírito: lembro-me dos cavalos para me sentir uma princesa em fuga, das chávenas para a sensação de perigo; cada um dos lugares distintos, naquele carrossel por onde tantos passaram e ainda passam.

Aos 22 anos, a criança já não anda no carrossel e torna-se então na diversão principal em tempos de aborrecimento, um carrossel da malta, igual a tantos outros apesar de diferente. A criança pensa agora no maquinista do carrossel, sempre a ver pessoas a chegar e a certa altura abandonar; nos momentos que não chegam para o gasto em dias desertos nos quais o carrossel pára.

Todos nós temos os nossos papéis: tu és a balança que pende sempre mais para o lado que mais te marca; tu és aquele texto gravado em pedra, de natureza tão certa e constante, para sempre igual a si mesmo mas tão dado a interpretações apesar do texto ser claro; tu és as aguarelas que enchem de cor os nossos dias, tão complexa nas diferentes combinações de tons e tão simples na tua essência primária; tu és a inconstância que nos vai ligando de diferentes maneiras, de palavras que não correspondem ao pensamento, numa ânsia pelo futuro que nunca mais chega mas que está bem, por enquanto, lá ao longe e, tu, apesar de igual tão diferente, és a calma e a razão, ambas subjugadas por vezes, ambas não claramente visíveis mas sempre constantes, numa presença de quem tudo já pensou e guardou e talvez não venha a partilhar. Eu sou o carrossel, onde todos vão marcando a sua presença e se divertindo das maneiras que vou permitindo, todos diferentes e todos deixando diferentes marcas. Por vezes, quando o carrossel pára ninguém percebe, no final de contas, ninguém imagina um carrossel como algo fechado para obras. Mas como qualquer comum carrossel é dos que me vão visitando que dependo para, de certa forma, sobreviver. Mesmo quando as marcas são desagradáveis. Mesmo quando o constante movimento se torna excessivo e abusivo e as roldanas, por vezes gastas, querem encravar e deitar todos os passageiros abaixo.

Um carrossel não fecha para obras. Não parte. Fica nas memórias de todos mesmo que no local mais recôndito das mesmas. Só para um dia, mais tarde, voltar a vir a constituir o refúgio de tempos passados. Porque embora os carrosséis sejam todos iguais, todos sabemos qual é nosso lugar no que nos pertence.


(Undertow - Warpaint)

Friday, January 20, 2012

Untitled (qualquer coisa)



Andei à tua procura. Ou na verdade talvez não. Sei que procurava alguma coisa. Talvez fosse a mim mesma. Lá está a insensatez a vir ao de cima, por favor, perdoa-me os meus devaneios. Melhor ainda, aceita-os simplesmente como parte intrínseca de mim, este ser que mal conheces.

Não tens perguntas para mim, sobre mim. Talvez sejas tu o iludido ao convenceres-te que sabes tudo ou talvez seja eu ao achar que poderia haver algo que pudesses querer saber. Se eu mesma soubesse…

Devaneios, sempre a sugar-me o tempo e a alma e a alegria e tudo o que acabam por me dar na sua ilusão.

No entretanto, encontrei-te efectivamente, assim como que por acaso, no sítio onde te tinha deixado e não te tinha lembrado. Não sei porquê mas nunca me lembrei, não de ti e não sei por que razão. Prefiro não pensar nisso a recordar a forma como me lembrei de alguns, na minha inocência desamparada, que nem inocência era mas sim estupidez.

Agora estás aqui mas tão depressa como chegas te vais e eu fico com o lugar e sem a pessoa, como um frasco de perfume que, apesar de vazio, ainda permite sentir o aroma e as recordações ao mesmo associado. Metáforas… Forma hábil e ao mesmo tempo tão estúpida de não dizer as coisas directamente quando se tem medo que as mesmas, ao serem ditas ou postas em papel, se tornem reais por serem obviamente visíveis e audíveis.

És assim e foi assim que me habituaste, tanto dás como tiras mesmo ao nunca me teres dado nada. Curiosidade, eterna busca é isso, talvez, que faz com que te procure e fique na dúvida permanente de se, caso algum dia verdadeiramente te encontre, serás aquilo que queria ou imaginava ou supunha ou temia. E faz com que me pergunte se a busca em si não será infundada e sem propósito, se saberei realmente o que quero encontrar e se no fim desse caminho estás tu. E se o caminho que quero percorrer não será demasiado perigoso e se não serei a única disposta a percorrê-lo.

Caminhos… Podem ser paralelos, opostos, apenas um ou findar sem aviso. E a minha indecisão falta de conhecimento e um não-sei-quê mais que falta também não me deixa ver em qual dos caminhos estou para comigo mesma e onde, ao longo do caminho, tu te inseres. Sei que estás no caminho. E que te vou encontrando de uma maneira ou outra. Entretanto, tenho optado por seguir e não parar para pensar, com medo que tenhas mudado de sítio. Um destes dias, o caminho vai chegar ao fim e, neste, gostava de te encontrar, no sítio onde te deixei e um dia te lembrei.

Monday, January 2, 2012

Between Us


There is nothing between us

Nothing to be found but so much to lose

There’s nothing to keep us together

Yet there is also nothing to tear us apart


So much to be shared

All those memories of the past

Simple visions of strangers whose looks once crossed

All the moments of the present

All the people around who have kept us together

All the hopes for a future that won’t see us part

The ways that brought us together


There’s nothing between us

Yet there is laughter and the tears

The complicity and the dances

The coffees and the cigarettes

The advices

The certainties and doubts

The things I have and have not felt

The words I will and won’t say

Everything


There might come the day when there’s nothing around us

But there will always be a million things between us