Saturday, February 18, 2012

Da ode a uma personificação de tudo o que é aleatório


Chama-se Sílvia ela. No entanto, ás vezes não se consegue decidir se será a Alice, a Madalena ou a Aurora, que ainda não chegou. É complicado ser-se uno numa só identidade quando há tanto a querer vir ao de cima. Eu chamo-lhe Sílvia porque a reconheço na totalidade e Lenita quando me dá para a desfragmentação que é aborrecer uma pessoa.

Não sabes o que fazer e para as múltiplas personalidades preferes uma nuvem de fumo ao absinto. Ou o que quer que faça o feito, mesmo que seja o tão afamado absinto, mesmo que sem as suas fadinhas verdes. (Podes dar uns saltos a seguir e seres tu a fada ou um Sr. Sousa barrigudo, o que te der mais gosto)

Sempre presente está uma afabilidade louca que vem aos trambolhões pelas tuas múltiplas personalidades dizer olá ao mundo. E o mundo sorri-te e diz-te "Olá" mas nem sabe que nome escolher.

Basta dizeres "Olá" que o mundo todo sorri-te e atira-te o cumprimento de volta, mesmo que tenhas a certeza que não.



The creative person is both more primitive and more cultivated, more destructive, a lot madder and a lot saner, than the average person.


O véu que separa a criatividade da insanidade só o reconhece quem já o pôde levantar.

Tuesday, February 14, 2012

Meias Verdades/Meias Mentiras



É isso tudo e mais um nada que me afoga na sua opressão. O vazio e o desejo a andar de mãos dadas, numa aliança desconjuntada que me desfragmenta o ser ilógico com o qual eu não consigo lidar. É isso tudo.

Um bocado de pensamento em forma de sonho desqualificado. Aquela expectativa medíocre que se cria quando não há mais nada para fazer e que faz tudo temer, mesmo quando esse tudo se resume a absolutamente nada. Um copo meio vazio numa mesa posta para uma pessoa. Porque a sede de tudo ter nunca permite ao copo a condição de ser meio cheio.

Vou pegar num dicionário e atirar-to à cabeça e esperar que de lá saia um conjunto de palavras que formem uma frase com um mínimo de nexo que transmita algo que queira dizer. Será que se pensar o suficiente nas palavras que não encontro e nas frases que não consigo formular enquanto o dicionário te acerta sairá algo de jeito? Por meu lado vou-me atirar para uma casa de espelhos para saber e me encher da pessoa com quem convivo, talvez aí não me sinta só ou dê numa louca cuja doença possa ser comprovada e aí com ela vou poder justificar tudo, estes textos escritos tarde e a más horas, porque nenhuma hora com este tipo de pensamento pode ser boa.

Sabes que te digo? Manda-te por esse abismo abaixo para dares com a cara no chão onde antes já a viste esfregada. Mais do mesmo parece saber a novo quando não se quer procurar mais, não é? Vai por esses caminhos onde já te perdeste e não te encontraste, nem a ti nem a nada que não solidão. Discursos de auto-reflexão não dão em nada quando não nos aceitamos, criança, que sem saber andar já sonha não com correr mas sim com teletransporte e diz a si mesma que nada é impossível a não ser que assim o determinemos.

Meias verdades ou meias mentiras? Tudo depende da perspectiva e quando a meu cargo está tal coisa prefiro dizer tudo o que penso e inventar o que não penso, discorrer da crueldade e da amabilidade e ser aquilo que bem me apetecer. Meias verdades ou meias mentiras? Só eu sei mas independentemente disso, no fim, tudo o que é dito ganha significado. Interpreta o que quiseres mas fica o aviso, estás na casa das aparências onde nem as paredes que vês verdadeiramente conheces.

Sunday, February 12, 2012

A inconstância da opinião


Diz-me o que pensas de mim e eu vou agir como se nada me afectasse por de trás desta fortaleza que envolve o meu dia-a-dia.

Sei quem sou e os meus defeitos e qualidades mas eu mudo e daqui a cinco minutos posso já não me lembrar. Dizes-me as minhas fragilidades e eu não as aceito porque assumi-las faria com que tivesse de pensar em como as resolver e eu não quero. Não as acho como defeitos, não me quero distanciar, não quero pensar que não dependo de ti. Eu gosto de dependência e passei toda uma vida a fazer de conta que era forte o suficiente para não precisar de ninguém quando na verdade não era.

Vê-me como a criança que foste, que quando tinha medo corria para os braços ou pernas de alguém. Eu ficava no meu canto sozinha e agora agarro-me às pessoas como se não houvesse amanhã.

Não quero estar sozinha e não suporto a minha existência na sua mais simples vertente portanto não me quero analisar. Quero ser pelos outros e através dos outros para que possa correr para mim mesma sem desta vez estar só.

Quero ser criança e quero que estejam lá para me proteger, ao menos por uma vez na vida, um momento singular de que me possa lembrar.
Não suporto a solidão que é estar apenas comigo mesma. E quero que estejam lá. Todos. Sempre e para sempre. Quando sei perfeitamente que na verdade isso não é possível.