Monday, April 8, 2013

Inócuo



Inócuo e invisível. Não te vi até chegar a meio do caminho e no fim que ainda não existiu não soube o que fazer com a tua presença e com o facto de te ter notado e de deixares de ser inócuo; perdeste a característica e ganhaste a qualidade da memorabilidade, que resurge em horas inesperadas.
Não saberia o que te dizer mesmo que não fizesse mais nada que não pensar nisso. O que dizes quando queres falar mas não tens nada relevante para dizer? Eu remeto-me ao silêncio que ás vezes é de ouro mas que contigo são oportunidades que se perdem e que não voltam quando não sei quantas mais terei para te conhecer, agora que te reconheço a presença, mesmo quando não física.
23 anos de processos cognitivos, de experiências que supostamente ajudariam a uma interacção estudada mas que se perdem confrontadas com algo tão recente quanto tu. Processos cognitivos que me remetem para as interações físicas de um 5º ano quando já ultrapassei um quinto ano de faculdade. Não ultrapassei a tua novidade nem a minha inocência maldosa e não sei o que fazer com a minha ideia de ti, nem contigo nem comigo.

Eu vou cantando a minha canção porque por vezes podes juntar-te a mim. Vou vendo as coisas à minha maneira porque um dia poderás partilhar a minha perspectiva. Vou estando presente, marcando posição porque, como eu te recordo, não quero ser esquecida. Não sei mais que os princípios básicos. E embora já tenham existido vários princípios nesta história, naquela que eu quero escrever o princípio ainda está por chegar.

Vemo-nos um destes dias.

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