“E, todavia como é difícil explicar-me! Há no homem o dom perverso da banalização. Estamos condenados a pensar com palavras, a sentir com palavras, se queremos pelo menos que os outros sintam connosco. Mas as palavras são pedras. As palavras são pedras e o que nelas vive é o espírito que por elas passa” ― Vergílio Ferreira, Aparição
Monday, April 6, 2009
Alguém....
Ainda se ao menos a nossa palavra bastasse aprendiamos com os nossos deputados e mentiamos com todos os dentes....
Se alguém me conseguir explicar fico muito agradecida porque para mim não faz sentido.
Thursday, February 19, 2009
Viajante
Que fazes tu viajante
Quando te perdes nos teus pensamentos
E não sabes o que escrever?
Quando a viagem pelos mundos
Da tua imaginação chega ao fim
E não sabes mais o que és?
Como és tu capaz de esconder as tuas mágoas, viajante?
Por mais que tente seguir o teu exemplo
Há muito que deixei de ser como tu, capaz
De sorrir pelas adversidades para
Mais tarde, na solidão do meu quarto
Tentar reencontrar-me
Congratulo-te, distante viajante
E queria ser como tu, viajante próximo
Tomado por inocente
Quando os teus olhos são janelas para o mundo lá fora
E os dos outros são portas fechadas
Em casas com telhados de vidro
Quando voltas, viajante,
Do teu mundo de palavras?
Dessas terras distantes nas páginas
De livros que nunca serão escritos
Porque a vida não existe para ser escrita
Ou será que nunca partiste?
Monday, February 9, 2009
Planos
Quero poder dizer que tenho uma vida preenchida mas o vazio de não fazer algo com um sentido maior impede-me de o fazer. Assim como o vazio que pareço ter dentro de mim faz-me pensar que embora haja dias em que tenho a certeza que amo, no dia a seguir não vou saber sequer se gosto.
Quero parecer feliz, ter um sorriso constante na cara mas não sorrio para fotos nem para quem por mim passa, tenho na cara o ar constante de quem está extremamente chateada com alguma coisa, mesmo quando não tenho nada no pensamento.
Tenho saudades de tanta gente, vontade de ver tanta gente mas essa vontade é suplantada pela inércia que me parece reger e portanto, por vezes, limito-me a esperar que as pessoas não me esqueçam e que um dia não venha a ser demasiado tarde.
Tento ser paciente mas passo dias a conter berros que não solto e a tentar não atirar algo num acesso destrutivo sempre que o dia parece estar a correr o pior possível.
Penso que tenho de ser querida, não por necessidade mas porque quero, mas a mais ínfima coisa faz com que os meus planos não se concretizem e seja má e cruel sem qualquer motivo aparente.
Queria dizer-te que sei como muitas vezes te sentes e compreendo como pensas e que tenho pena de não poder ter tempo para conhecer-te ainda melhor mas não o farei porque talvez seja dizer demais.
A ti, pediria desculpa pelas coisas importunas que digo ou se te faço sentir mal pelo que alguma vez disseste, se não o sabes confesso-te que não é por mal por de ti também gosto muito.
A vocês diria que sinto a vossa falta, falta dos actos de civismo e das melodias entoadas, e das conversas sem pudor, e de ser a criança mas sei que ainda terei algum tempo na vossa companhia.
A ti, que não sei que palavras escolher mas que um dia terei as minhas certezas absolutas e que finalmente saberei o que dizer.
Por estes dias sinto necessidade de escrever mas, como não tenho inspiração, escrevo sobre os meus defeitos que me são mais fáceis de apontar que as qualidades.
E faço planos para um futuro próximo em que terei aquilo de que sinto falta – a minha vida normal apenas com algumas modificações.